Logotipo Coonect.se
Banner Negócios sustentáveis estão em empresas que aprendem Banner Negócios sustentáveis estão em empresas que aprendem
Inovação
20/04/2021 Bruno Barcelos Morais

Negócios sustentáveis estão em empresas que aprendem

Há muito o mundo corporativo clama por práticas de gestão sustentável dos negócios (desde marcos como o Relatório de Brundtland em 1987, seguidos de movimentos de advocay pelo tripé socio-econômico-ambiental no mundo institucional, público, civil e empresarial)  e os empreendedores parecem ter fechado os olhos, extraindo o último fio d´água da fonte até que a coisa ficasse realmente feia. E esse momento é agora. 


As práticas dos negócios sustentáveis vinham em sua maioria para compor um discurso "embelezador" da operação das indústrias e serviços, isso quando não uma exigência legal ou uma ação de mitigação de impacto negativo. 


O ponto é que o mundo já aprendeu que não há mais como investir sem considerar o controle e a inversão do impacto que a atividade predatória do homem realiza na Terra em função da atividade econômica. Essa conta não fecha, pois em seguida o planeta corta recursos, nos deixa reclusos e doentes dentro de casa, condicionando e disciplinando-nos a operar em sintonia com ele, ou a nossa extinção será certa. Não há outra hipótese. 


E aí, finalmente, no fim da linha, parece que o discurso dos "eco-chatos" alcança a cognição da ganância: nunca foi questão de salvar o planeta, mas questão de salvar-nos a nós mesmos.

 

É preciso pensar negócios com impacto positivo 


Pensar, portanto, negócios no mundo em que as questões climáticas são urgentes, em que as economias desabam pós pandemia, em cenários extremamente desiguais, como acontece dentro do Brasil, significa pensar atividades que em sua natureza deixem impacto positivo. 

Os chamados "negócios de impacto" pensam desde os produtos aos processos de forma inclusiva, com um relacionamento equilibrado com toda a sua cadeia de valor, e stakeholders. Esses certamente serão os negócios mais perenes e seguros (sustentáveis), e por isso os mais bem avaliados pelos investidores. 

Os critérios ESG 


O movimento ESG (a sigla em inglês para "environmental, social and governance" = ambiental, social e governança, em português) pautando investimentos mais responsáveis, como uma condição para o atingimento da  Agenda 2030 finalmente chega ao Brasil carregando uma força como nunca antes. 

O mercado está desperto para o risco dos investimentos de médio e longo prazo quando não consideram as variáveis de sustentabilidade. E no paralelo muitas mobilizações organizadas pela sociedade civil e setores parceiros enfatizam e realçam o momento. 

Os investimentos que consideram então as três dimensões risco-retorno e impacto positivo, "têm uma leitura mais completa do ambiente em que estão inseridas, e conseguem, por isso, ser negócios mais robustos, com maior relevância para a sociedade e, consequentemente, tendem a gerar retornos melhores" (Daniel Izzo, cofundador da Vox Capital). 

Os critérios ESG – cuja função é fundamentar o processo de análise e seleção dos investimentos – são:

E – Environmental (Ambiental): Como a empresa usa sua eficiência de energia, descarta lixo, emissões de gases de efeito estufa (CO2, gás metano) e se contribui para mudanças climáticas, como se dá o uso de recursos naturais, qual a poluição, gestão de resíduos e efluentes, etc. 
S – Social: Direitos dos colaboradores, cuidados com a segurança no trabalho, diversidade no quadro de funcionários, relacionamento com a comunidade, políticas e relações de trabalho, inclusão e diversidade, engajamento dos funcionários, treinamento da força de trabalho, direitos humanos, privacidade e proteção de dados, etc. 
G – Governance (Governança): Sistema de políticas e práticas pelas quais as empresas são direcionadas e controladas, diversidade no conselho, metodologia de contabilidade, política anticorrupção, independência do conselho, política de remuneração da alta administração, estrutura dos comitês de auditoria e fiscal, práticas de ética e transparência, etc. 

Independentemente da abordagem escolhida para se produzir e, em seguida, mensurar a qualidade da gestão ambiental, da governança e da responsabilidade social, daqui para frente os investidores precisarão considerar os fatores ESG para que tenham uma visão e gerenciamento mais sistêmico dos riscos e estejam investidos em empresas capazes de sobreviver ou se adaptar ao futuro que está se moldando, um futuro baseado em uma economia de baixo carbono, inclusiva, transparente e orientada à prosperidade das várias partes interessadas, como bem disse a Marina Cançado para InfoMoney. 

As tendências dessa gestão sustentável para 2021 adiante